A importância da preparação física na prática do surf

 É inevitável a associação da pratica do surf com a boa saúde em todo contexto da palavra, física, mental e espiritual. Já estão bem estabelecidos os diversos aspectos que a relacionam com a qualidade de vida, desde seu ambiente de pratica até os níveis de exercício físicos prazerosos que submetem o organismo do praticante. O desenvolvimento de um trabalho específico de preparação física, orientado por um professor de educação física, é de fundamental importância para o bom desenvolvimento da performance técnica do surfista. O intuito da preparação física é permitir que o atleta possa adquirir um excelente condicionamento neuromuscular e cardiovascular para poder manter a homeostase, com o equilíbrio total do organismo durante a prática, e poder contribuir, especialmente com nível de aptidão relacionado à saúde. Dessa maneira, o treinamento deve ser diário, gradual e progressivo, devendo ser realizado com muita dedicação e seriedade. Antes da realização de qualquer atividade física é importante preparar o aparelho locomotor para os exercícios. Para isso é recomendável um trabalho de aquecimento, através de exercícios dinâmicos e de alongamento antes de cada sessão de surf. Ao iniciar o aquecimento deve-se realizar o alongamento, consciente e suave de cada segmento corporal, com permanência de aproximadamente 25 segundos em cada posição, ativando assim a circulação local e ativando os componentes formadores da estrutura neuromuscular. Após essa faze e preparação dos grandes grupos musculares e das articulações, o praticante pode optar por exercícios dinâmicos, ou por uma breve corrida com ritmo moderado, tendo duração média em torno de 6 a 8 minutos para ativar o sistema cardiovascular. Durante a prática de qualquer atividade física, nosso organismo dispõe de duas vias principais para obtenção de energia, que são determinadas de acordo com a duração e a intensidade do esforço; são elas as vias anaeróbias, onde as reações metabólicas podem ocorrer na ausência do oxigênio, e as vias aeróbias, onde a presença do oxigênio é indispensável. Para realizar exercícios de alta intensidade e curta duração (ex.: surfar uma onda) que desenvolvem potência e arranque muscular semelhante às corridas de 100 metros, utilizamos principalmente a via glicolítica anaeróbia, ou simplesmente anaeróbia, que produz energia a partir da quebra da glicose proveniente da ingestão de alimentos e do glicogênio das reservas existentes nos músculos. Por outro lado, atividades de longa duração e baixa intensidade, como as realizadas nas remadas para chegar ao local de formação das ondas, o out-side, não podem se utilizar exclusivamente das vias anaeróbias, exigindo do praticante um bom condicionamento aeróbio, visto que o oxigênio consumido será o principal provedor dos processos para se obter energias através desta via energética. Durante a prática do surfe recreativo (free surf), competindo ou nas sessões de treinamento, utilizamos principalmente a via aeróbia de obtenção de energia, pois passamos a maior parte do tempo remando. Para a realização das manobras, no entanto, predomina a via anaeróbia, já que neste instante o trabalho muscular é bem mais intenso e potente. Desta forma, pode-se concluir que para obter um bom desempenho técnico o surfista necessita desenvolver tanto um treinamento aeróbio (corrida, ciclismo ou natação), quanto um treinamento anaeróbio (musculação ou exercícios localizados) para o fortalecimento corporal, sobretudo das pernas e da região abdominal, tudo isso acompanhado de um bom trabalho de flexibilidade, coordenação e agilidade, seja na escolinha ou em locais e momentos específicos, planejado e aplicado sob orientação de um profissional de educação física. Prof. Marcus Vinícius Palmeira


Comentários